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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Progresso



Enfia-me a grossa política
sísmica tremendo em mim,
enfim gerando-me um filho
rijo, de feições sombrias;

que adore a barbárie
que idolatre a ordem
e seja fecundo

pra por paz no mundo,
estuprar desordens
tal fazes comigo!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Desfalecer



Linhas da pequena morte:
sorte reservada a poucas
loucas que se abrem em cios,
brios que vertem rainhas.

Feliz me derramo
num rio-mel em êxtase
num véu-liberdade;

vil sensualidade
com sabor de nêspera
cozendo a calcinha...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dormir


Dos cílios que enfim se beijam
dos seios que bebem sono
em sonho acordado lembro;
é terno e melífluo idílio

Cílios se costuram
seios que fenecem
breve desabrocham

acendem a tocha
daquele que despe
teu sono em segredo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Costura


Encubra os olhos de rosa
cosa em seus próprios mamilos
brilhos, filetes silentes
quentes como tezes rubras.

Que essa renda teça
mantos que, lascivos,
apreendam fogo

dos gozos de ouro
que contigo vivo,
sempre abraçado.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dito



Antes de doar seu rim
rime algo de bom,
bombardeie o céu
com estrelas medíocres,
ocres,
conformadas em viver
na grade podre
do ser sem nada
a oferecer.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ao pé do ouvido


São palavras embebidas
em bebidas rutilantes
que antes dos seus delírios
ouvidos febris desbravam

Elas te perfuram,
causam explosões;
cem mil vis fagulhas

Tensões tal agulhas
costuram canções
gemidas no Lá...

sábado, 27 de agosto de 2011

Corrupção




Fina arte de lamber líquens,
itens mundanos e reles
- dela não aprendo nada,
raras vezes sinto a sina.

Me deixa viver
lambendo tais fungos,
orando pros ventos;

viver ao relento
não é mau num mundo
de árvores podres.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Convite


Empala-me em ledo tálamo.
Cala-me e leva-me viva
ao vívido inferno-quente.
Sente meus gozos-opala.

Forma e conteúdo
sigo tua escrava,
parte da tua escrita.

Poema que excita
sou eu em palavras,
afônica amante.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Teus dedos




Papilas em mel meladas
regadas a tenros frêmitos
de trêmulos engolires
admiram quem lhes burila

Tensão G maior
chupares aos céus
estrelas em bolhas

representam folhas
de sexo que ao léu
escrevem tuas mãos.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ode aos gênios



a Joedson Adriano

presente à genial genitália tão parideira
carrego pelas páginas-pápricas desta lâmpada
que sigo a esfregar sempre sôfrego para achar
verdades verossímeis que versem sobre a beleza
são versos meu regalo os carrego sobre o regaço
em livres livros lívidos palco do nume único
na esperança cega por ventos-vicissitudes
que criem nestes homens a crença em algo útil

sábado, 30 de julho de 2011

Outono



Desvencilhar-se das malhas
que atrapalham o dedilhar
dos joelhos até sua virilha
trilhando gozos brilhantes

é ser de Deus filho,
é sentir as folhas
pelas sobrancelhas

acordando os olhos
pra o prazer sem falhas
que é meu evangelho. 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O mal bem me quer



O ato de beijar espinhos
sinto proverá algum bem,
sempre deixará algum dom,
som de precioso fado

Cantigas bacantes
desfolham pesares
revelam deleites

Querida, se deite,
engula meus ares,
sirvamos a alcova!

domingo, 17 de julho de 2011

Cravo de defunto


Cravo em tua pele meu cravo
farto que prende este morto
corpo de inóspito cheiro
feito mau réquiem num cravo...

Valeu, pois, a pena
viver tão demente,
sem lar ou regaço?

Queria teu abraço,
queria-te pra sempre;
quiseste ser sânie!


Ilustração de Sylvia Ji.
 
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