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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Dama de luxo

Copo-de-leite escorre
morre vivaz na peônia
sonho impresso no olfato
lato, meu céu chega logo

Adoro teu ser,
gemer cor-de-rosa
que pago tão caro;

Destino tão raro:
meu corpo que goza
teu mel, prostituta!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Oriente-se



Flor de papel, romaji
transliterado na cor
Dorso: origami diáfano
Terno haikai feito flor

Teu céu se amainando 
visita sem dor
katana que em riste

traduz nosso amor
lembrando que existe
prazer, cerejeiras.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

7/8




Dentes sutis pelas coxas
despem-te as cálidas meias
ávidos deixam-te roxas
marcas, centelhas tal teias:

a aranha que é presa
por meu jogo vil
de te desnudar;

mordente voraz
libido em anil
lamber de quer-mais.

domingo, 26 de junho de 2011

Apertos



Acordar em cordas quem
recordar sentir-se-á cem;
Pois amar alguns nós tem,
Fortaleço-os com meu bem.

Colchas de hematomas
mantas de redomas
beijos entre pomas

Tensos e apertados
somos nós e os nós:
- Reis apaixonados!


Ilustração de Ken-ichi Murata. Fonte: http://www.alphabetcity.it/media/_thumbs/3f1fc7ef7ab028a47fe76fdd543d331f.jpg

terça-feira, 21 de junho de 2011

Oração



Meu diafragma
pare um deus em cada lágrima
engolida que passa

enquanto no útero lúgubre
outro feto impúbere
espera ajuda deles
na dúvida.

sábado, 18 de junho de 2011

Memória

Na cama que sorve a sépala
Salpicam estrelas sapecas
Brincando e se derretendo
No caule garganta adentro

Sua flor é saudade sépia
Ceifando o querer de Héstia
Abelhas seu pólen brindam
Pra mim, néctares se foram.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sussurro



Pareço aço
Mas canso fácil
Assar-te é

Arfar
Praças de suspiros

Foices
Esgarçando sexo
Pelo ar.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Epitáfio de Tokyo 3


De meu sangue jorram
tuas calçadas sujas
mudas que coagulam
tuas misérias duras

Deixa carmim os prédios
radiar gangrena
faz torres de tédio
supurando medo;

Deus está no céu: 
tudo em paz no mundo!
Sangue é filho dele, 
não mais me arrependo!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Recado


Dente não rima com rosa vermelha;
língua é melhor, tal cravelhas
que afinam diáfanas
sinfonias
gemidas
em ré
maior.

 
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