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sábado, 30 de julho de 2011

Outono



Desvencilhar-se das malhas
que atrapalham o dedilhar
dos joelhos até sua virilha
trilhando gozos brilhantes

é ser de Deus filho,
é sentir as folhas
pelas sobrancelhas

acordando os olhos
pra o prazer sem falhas
que é meu evangelho. 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O mal bem me quer



O ato de beijar espinhos
sinto proverá algum bem,
sempre deixará algum dom,
som de precioso fado

Cantigas bacantes
desfolham pesares
revelam deleites

Querida, se deite,
engula meus ares,
sirvamos a alcova!

domingo, 17 de julho de 2011

Cravo de defunto


Cravo em tua pele meu cravo
farto que prende este morto
corpo de inóspito cheiro
feito mau réquiem num cravo...

Valeu, pois, a pena
viver tão demente,
sem lar ou regaço?

Queria teu abraço,
queria-te pra sempre;
quiseste ser sânie!


Ilustração de Sylvia Ji.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ferrão



Senti tremer sua corola
na hora em que te toquei
com feixes de ferroadas
em cada pólen que vi...

Feixes-dedos rijos
violam a violeta:
mel que desabrocha

numa colcha grossa
cobre essa gaveta
que é minha volúpia!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Deleite da apaixonada


Ledo caule que entre dentes
quente aguarda a branda seiva
deita em fúria sobre a língua,
pinga flocos de segredos,

fagulhas de branco,
borbulhas frementes,
marulhas que beijam

meus lábios que cheiram
tua seiva estridente
correndo pra alma.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Trepando no pessegueiro



O pêssego vou comer,
sorver sob as tuas anáguas
das babas fruto das pétalas
homéricas provo o efêmero.

Arrancar melífluas
pulsações harmônicas,
esplendor do mágico

é sentir-se máximo
em paisagens sônicas,
melodia frutosa.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dama de lixo



Buceta de palimpsesto
tão perto da decadência
carência me faz gastar,
deixar vinténs de gorjeta.

Rodando a bolsinha
orquídea à tristeza
solfeja a desgraça;

dois filhos tal traças
deglutem fraquezas
gemidos insossos.
 
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